quarta-feira, 30 de setembro de 2009

quando o amor vai embora...

a uma menina
com vestido de chita
e flor no cabelo
sentada num banco de praça
tateando o medo e a solidão...


saudades e silêncios
me inquietam agora
...
você partiu na última manhã
e eu desde esse dia
me procuro em cada vão da casa, mas em vão...

então, posso te pedir um favor?
sei que estou aí
bem no meio de teus detalhes
:
talvez esteja no cheiro de tuas camisas
de quando caminhávamos juntos pela praça
abraçados e entorpecidos de amar

ou quem sabe eu esteja naquele teu disco que embalava nossas noites chuvosas
quando mergulhávamos no outro e nos confundíamos em abraços

posso talvez estar junto de teu creme de barbear
ou de tuas cuecas
de tuas meias ou lençóis

então, faz assim...

amanhã bem cedo, quando o dia ainda não for dia
traga-me de volta, por favor!
mas não precisa entrar nem chamar à porta
chegue assim, sem alardes
nem buzinas
nem floreios
tal qual entraste em minha vida
silencioso
sorrateiro
e coloque-me junto à porta
com jeitinho, pra não machucar
(mais até do que já machucou)
que é pra ver se há um jeito de seguir por esta vida
e ainda acreditar no tal do amor...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quando o amor chega e, mesmo sem alardes, invade...


desconfio que há muito te esperava, menino feito de adjetivos
e
exclamações
é como se tudo
: corpo alma e cotidiano
lentamente se preparassem para
enfim te receber

meus olhos
que há muito miravam o mundo
ganharam um jeito particular de perceber ao longe
tua silhueta
teu brilho

sobretudo teus olhos
e neles
mergulhar
sorver com a retina
a certeza de que eram estes os olhos
que iriam
desde então me amar

olhos de menino inaugurado
que me seriam casa nas noites em que o medo do escuro

(não o medo de quando criança
fantasmas
vozes
e bichos
mas o medo das horas sem luz
quando tudo cheira a vazios e perdas)

viesse a me atormentar

minha boca
que pousou em tantas outras, não se sabia completa
guardava uma sede antiga de uma boca assim
amanhecida
pronta pra voos e abismos sem fim

meus seios
porto, alimento e abrigo
que ninaram filhos hoje crescidos e espalhados pela casa
ganharam a forma de tuas mãos côncavas e de tua boca faminta
ganharam a textura moça e senhora pra tua língua curiosa

meu corpo
território de marcas e histórias
ganhou do tempo um sabor agridoce
e um jeito puro e destemido de se permitir
tudo o que antes era incógnita
a uma mulher ainda vestida de festa e algodão doce
virou êxtases e certezas sob o corpo desse menino que agora me ama
esse menino que me adivinha e me estende na cama
como um mapa de todas as minas
me vasculha
me atiça
me acha e me desnuda

inteira

ah! menino que me entontece
somente por ti não carrego mais medos nem culpas de não saber-me vulcão
porque agora tudo é explosão

erupção de gritos, suspiros e líquidos
:
somente a ti poderia querer e amar assim
como hoje te quero e te amo

e sabe... esperaria por ti por mais três eternidades
menino feito de plenitudes
porque pra amar não basta se entregar

é preciso estar pronta...


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

sobre o casarão de poesia...


Há muito tempo sinto vontade de dizer o que significa para mim fazer parte do Grupo Casarão de Poesia...



Pois, bem... Fiz então uma brincadeirinha...






Sabe, vez por outra acredito em destino...

Não sei, mas é que sinto uma certeza de que tudo o que ando descobrindo e vivendo só podia já está escrito em algum lugar.
Ah! Sei lá, de repente tava só rabiscado em algum papel de pão que o senhor deus esqueceu perto da radiola, aquela que ele comprou no sebo de Francisco, que tocava uma sambinha cheio de "squiron-don" em uma certa tarde cheirosa a chuva... Sabe como é: tarde chuvosa, disco na vitrola, pronto! O homem, "ops!", senhor deus - o cara - se inspirou. Ou você acha que ele também não se inspira? Ora, a inspiração foi tão grande que ele não se conformou em fazer qualquer coisinha costumeira a deuses em dias de inspiração... De jeito nenhum!
Ele sentou num tamborete que tinha assim pertinho da janela e que dava bem pro meio do pedaço do céu que ele usava pra rascunhar suas obras e começou a matutar:

- Hôme! Acho que vou fazer um arco-íris bem grande e de cores bem fortes...

Depois de acabado, senhor deus viu que não era isso o que ele tava querendo.
Continuou por ali, sentado, vez por outra um golinho de café, quando alguém bateu a porta. E não é que era Ana!

- Ôxi, Ana... Aparecesse, foi? Mas, criatura tu tava sumida! Quem teve aqui ontem perguntando por tu foi Gorete e Imaculada... Onde era que cê tava, hein?

E foi aí que Ana explicou que tava muito feliz com tudo o que ela já havia conquistado, com o carinho das pessoas que acreditavam nela, mas há dias sentia uma vontade de fazer algo diferente por um lugarzinho meio escondido, mas muito especial.

- E que lugar é esse, Ana?!

- Olhe senhor deus, num sei se o senhor vai lembrar, mas é um cantinho que o povo achou por bem chamar de Currais Novos...

Senhor deus, no mesmo instante, franziu a testa e olhou pra Ana dizendo:

- Ana, Ana, eu sei que já criei coisa demais e por isso às vezes tenho uns esquecimentos, mas pelo amor de deus, quer dizer, pelo amor meu (danado é!), tu não tá falando daquele lugar onde o doido de Dona Venera* nasceu? Conheço demais, que é que tem Currais Novos?

- Pronto! Esse mesmo! Pois é que desde que o doido de Dona Venera foi embora que o povo por lá anda meio que sentindo falta de alguém que mexa com essas coisas, o senhor sabe, com essa tal de poesia... É que parece que a cidade andou crescendo, crescendo, mas esqueceu de falar e cantar as belezas da terra e do povo, sabe? E aí eu pensei: será que num tá na hora de fazer nascer naquela terra alguém assim, com essa alma cheia de vida, um certo gosto pra boemia e ao mesmo tempo esse desejo de levar a palavra falada e cantada pra outros cantos?

Nessa mesma hora, senhor deus deu foi um pulo do tamborete, quase quebra o copo de café e disse:

- Era isso, Ana! Era isso que eu tava precisando! Olhe, Ana, deu certinho, viu? Do jeito que hoje eu tô inspirado e só pensando em alguma coisa que eu podia fazer de diferente, de especial mesmo, pronto! E tu sabe que eu num vou gastar meu tempo e minha inspiração com pouquinha coisa, não? Vou nada! Peraí...

Senhor deus foi lá dentro e voltou com um saco na mão e explicou a Ana que ali era um restinho dum barro muito bom, que ele guardava só pra fazer pessoas assim, especiais e criou essas criaturas que cresceram, rumaram pelos mesmos caminhos da arte e se juntaram para formar o que hoje chamam de Grupo Casarão de Poesia...

Dizem por aí, pelas esquinas celestiais, que desde esse dia o senhor deus baixou uma lei lá no céu: nos dias em que o Grupo Casarão de Poesia se reúne aqui embaixo pra recitar e cantar, o senhor deus fecha as portas de casa e diz a Pedro que não abra a porta pra ninguém, a não ser em casos graves e fica lá, bem quietinho, vendo e escutando esse povo do Casarão, todo orgulhoso da sua criação. Vez por outra, transbordando de emoção, diz:

- Êta! Povo bonito, meu deus! Ôxi, quer dizer: Êta! Povo bonito, eu! (danado, é!)

(O Doido de Dona Venera é ninguém menos que um dos grandes poetas currais-novenses e referencia literária para o GRUPO CASARÃO DE POESIA, o poeta José Bezerra Gomes)





quarta-feira, 26 de agosto de 2009

depois de tanto silêncio...


olá, amigos visitantes... saudades desse cantinho e da presença de vocês!
entrem, venham... acabei de passar um café: tá bem quentinho!

ah... sei... não é que andei mesmo um bocadinho distante daqui, né? mas, foi por uma boa razão, viu? o quê?! qual a razão? nossa! pela minha cara aqui não dá pra imaginar não, é? hum hum... (ai! lembrei da minha amiga érica - ela detesta quando eu digo hum hum... rs rs rs) pois é, tô amando! quem?! desde quando?! como tudo começou?! afi! deixe-me ver como posso te dizer... ... ... ... ééé... ixi!!!!!!!!!! bom foi mais ou menos assim:


(olhe que cara linda essa de edson - foto de wescley j. gama)


sobre o amor verdadeiro que há pouco bateu em minha porta
e foi entrando de mansinho


fui tomada de felicidade...



há tempos incontáveis esperei por ele...

tempos feitos de uma espera cor de abandono e sabor de desesperança...
cada olhar que me fitava pelas ruas me fazia crer que ele não viria mais...

cada palavra sussurrada em alguma calçada no rápido instante em que jogava os passos do cotidiano, me dizia que era inútil esperar por ele...


há tempos indizíveis esperei por ele...

sonhava com o dia do encontro...
ele, vestido de sonhos e certezas e eu, sentada à espera, envolta em um vestido de entrega e felicidade...
bastaria que cruzássemos os olhos e pronto!
tudo a nossa volta seria tão somente testemunha do encontro mais que esperado...


há tempos seculares esperei por ele...

até que num dia feito de palavras encantadas e canções inesperadas, o encontro aconteceu...
éramos ali, em meio a todos que nos cercavam: somente eu e tu, simplesmente tu e eu...

a espera que parecia infinita hoje é a mim recompensada em cada instante que te olho, te beijo, te cheiro, te abraço, te ouço, te amo, porque enfim você chegou até mim, amor verdadeiro...

enfim pude conhecer tua face e teus encantos...
tua entrega absoluta e tua nudez de alma...
teus segredos e teus medos...
tua pureza e teu caráter...
pude enfim, me reconhecer em ti, homem que amo hoje "como em toda a minha vida quis e não sabia"...


beijos na boca e na alma

com sabor de "as páginas de minha história que estavam em branco, depois de você e de tudo o que traz contigo, ganharam molduras coloridas..."

luciana
luma
lua

ou

tua lua
a amar-te sempre
de alma nua...




quinta-feira, 9 de julho de 2009

olá, amigos visitantes...

peço desculpas por ter sumido, mas é que vez por outra preciso esquecer um pouquinho de algumas coisas pra mergulhar em outras...

em breve, novas postagens, novos poemas, novas impressões...

beijos na alma

com sabor de "menina! pense que esta minha casa aqui tá precisando de uma "faxina"!"

luciana

luma

lua

segunda-feira, 13 de abril de 2009

este "pequeno" cantinho aqui em minha casa foi criado especialmente para mostrar à vocês, caros visitantes, os meus companheiros de palavra...

As asas minha mãe me deu desde o princípio de tudo!
Usava-as um bocado nos vôos de minha infância
colorida e molhada pelas biqueiras e águas de pote,
mas foi com ele que aprendi um jeitinho diferente de voar ainda mais alto...

Mário Quintana



Lembro muito bem do meu primeiro contato com a poesia de Quintana
:
Tudo em meus dias ainda amanhecidos ganhavam contornos
de descobertas, medos, incertezas e inquietações...
Lá por aqueles tempos que começamos a florescer, sabe?
Essa criatura encantadora com seu jeito sempre simples de mexer com a palavra
e torná-la imensa em imagens e sensações...

Eis aqui o primeiro poema de Mário Quintana que li...

O ADOLESCENTE

A vida é tão bela que chega a dar medo
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas
esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz
o jovem felino seguir para a frente farejando o vento
ao sair, pela primeira vez da gruta,
Medo que ofusca: luz
Cumplicemente as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo
Adolescente, olha ! a vida é nova

A vida é nova e anda nua
vestida apenas com o teu desejo !
Beijos na Alma
Com Sabor de "mais Mário Quintana"
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!

SEMPRE QUE CHOVE

Sempre que chove
Tudo faz tanto tempo...
E qualquer poema que acaso eu escreva
Vem sempre datado de 1779!

EXAME DE CONSCIÊNCIA

Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?

terça-feira, 31 de março de 2009

esse aqui tava guardado e inacabado... ficou assim!

foto: luma carvalho

foto: wescley j. gama


aprendi com as formigas
minhas tão formidáveis amigas
uma importante lição
:
a seguir sempre em frente
mesmo sem saber a direção