As asas minha mãe me deu desde o princípio de tudo!
Usava-as um bocado nos vôos de minha infância
colorida e molhada pelas biqueiras e águas de pote,
mas foi com ele que aprendi um jeitinho diferente de voar ainda mais alto...
Mário Quintana
Lembro muito bem do meu primeiro contato com a poesia de Quintana
:
Tudo em meus dias ainda amanhecidos ganhavam contornos de descobertas, medos, incertezas e inquietações...
Lá por aqueles tempos que começamos a florescer, sabe?
Essa criatura encantadora com seu jeito sempre simples de mexer com a palavra
e torná-la imensa em imagens e sensações...
Eis aqui o primeiro poema de Mário Quintana que li...
O ADOLESCENTE
A vida é tão bela que chega a dar medo
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas
esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz
o jovem felino seguir para a frente farejando o vento
ao sair, pela primeira vez da gruta,
Medo que ofusca: luz
Cumplicemente as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo
Adolescente, olha ! a vida é nova
A vida é nova e anda nua
vestida apenas com o teu desejo !
Beijos na Alma
Com Sabor de "mais Mário Quintana"
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!
SEMPRE QUE CHOVE
Sempre que chove
Tudo faz tanto tempo...
E qualquer poema que acaso eu escreva
Vem sempre datado de 1779!
EXAME DE CONSCIÊNCIA
Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?