com vestido de chita
e flor no cabelo
sentada num banco de praça
tateando o medo e a solidão...
saudades e silêncios
me inquietam agora
...
você partiu na última manhã
e eu desde esse dia
me procuro em cada vão da casa, mas em vão...
então, posso te pedir um favor?
sei que estou aí
bem no meio de teus detalhes
:
talvez esteja no cheiro de tuas camisas
de quando caminhávamos juntos pela praça
abraçados e entorpecidos de amar
ou quem sabe eu esteja naquele teu disco que embalava nossas noites chuvosas
quando mergulhávamos no outro e nos confundíamos em abraços
posso talvez estar junto de teu creme de barbear
ou de tuas cuecas
de tuas meias ou lençóis
então, faz assim...
amanhã bem cedo, quando o dia ainda não for dia
traga-me de volta, por favor!
mas não precisa entrar nem chamar à porta
chegue assim, sem alardes
nem buzinas
nem floreios
tal qual entraste em minha vida
silencioso
sorrateiro
e coloque-me junto à porta
com jeitinho, pra não machucar
(mais até do que já machucou)
que é pra ver se há um jeito de seguir por esta vida
e ainda acreditar no tal do amor...


3 comentários:
Ademais a criatividade e a leveza, a sua poesia carrega no versejar uma doce ironia. Sem rancores, pesares e ressentimentos. Aliás, como deveria ser o amor.
Um beijo!
Belíssima poesia,com suavidade e beleza ao enxergar o amor,mesmo quando este não é mais correspondido.
Parabéns
Joel
muito legal!
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